Rio Negro ultrapassou oficialmente a cota de inundação em Manaus e colocou a capital amazonense em estado de cheia nesta quinta-feira (21). De acordo com a medição mais recente divulgada pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), o nível das águas chegou a 27,52 metros — dois centímetros acima da cota considerada crítica para o município, fixada em 27,50 metros.
O avanço do rio já vinha sendo acompanhado com atenção pelas autoridades e pelas populações ribeirinhas. Na quarta-feira (20), o boletim hidrológico apontava 27,46 metros, indicando que a elevação continuava acelerada e muito próxima do limite oficial de inundação. Em menos de 24 horas, o aumento foi suficiente para consolidar o cenário de cheia na maior cidade da Amazônia.
A cota de inundação funciona como um parâmetro técnico utilizado para monitorar os impactos da subida dos rios sobre áreas urbanas e comunidades vulneráveis. Quando esse nível é ultrapassado, bairros próximos aos igarapés, regiões ribeirinhas e áreas de ocupação mais baixa passam a enfrentar riscos maiores de alagamentos, prejuízos à mobilidade e danos estruturais.
Em Manaus, o fenômeno costuma afetar principalmente famílias que vivem às margens dos cursos d’água, onde a rotina passa a depender de pontes improvisadas, passarelas de madeira e adaptações emergenciais para garantir circulação e acesso a serviços básicos. Além disso, a cheia também interfere no transporte fluvial, no comércio local e na dinâmica econômica de comunidades inteiras que dependem diretamente do rio.
Especialistas apontam que o comportamento do Rio Negro neste ano segue a tendência de eventos hidrológicos extremos registrados na Amazônia nos últimos anos, alternando períodos severos de seca e enchentes históricas. O monitoramento diário realizado pelo SGB é considerado fundamental para orientar ações preventivas da Defesa Civil e auxiliar no planejamento de medidas de assistência às populações atingidas.
Com a cheia oficialmente confirmada, órgãos municipais e estaduais devem intensificar o acompanhamento das áreas de risco nas próximas semanas, enquanto moradores acompanham a evolução do rio com preocupação. A expectativa agora é saber até onde o nível das águas poderá avançar durante o pico da temporada de cheia na região amazônica
